O mercado brasileiro de CCS (Carbon Capture and Storage) e CCUS (Carbon Capture, Utilization and Storage) começa a entrar em uma nova fase. Depois de anos em que a captura e reinjeção de CO₂ estavam associadas principalmente às operações do Pré-Sal, o país passa agora a estruturar projetos dedicados ao armazenamento geológico de carbono em larga escala, alinhados às metas globais de descarbonização e à construção de um mercado regulado de carbono.
O avanço do CCS no Brasil também deve acelerar discussões regulatórias envolvendo armazenamento geológico, monitoramento ambiental e mercado de carbono. O próprio Projeto São Tomé será acompanhado por órgãos como ANP e INEA, contribuindo para validação de procedimentos e desenvolvimento de futuras normas para projetos comerciais.
Mais do que uma tendência ambiental, o CCS começa a se consolidar como uma nova infraestrutura energética e industrial. E nesse novo cenário, a capacidade de produzir dados confiáveis, auditáveis e contínuos será tão importante quanto a própria captura de carbono.
A discussão sobre CCS e CCUS também esteve presente no Energy Show 2026, realizado pela ACATE por meio da Vertical de Energia que conectou empresas, palestrantes e um público interessado pelo tema. Durante o evento, como corealizadora a Atlantec Instrumentação Oceanográfica participou ativamente das discussões sobre “CCUS: Captura em fontes industriais e naturais. Armazenamento seguro”, reforçando o papel estratégico do monitoramento oceanográfico na evolução dos projetos de descarbonização no Brasil.
Representando a Atlantec, estiveram presentes o CEO Rodrigo Pacheco, apresentando o sistema de serviços integrados que a empresa oferece para monitoramento de CSS e o Diretor de Tecnologia Gustavo Batistell que participou como moderador de um dos painéis sobre CSS e CCUS ao lado de importantes referências nacionais do setor, como Fernando Luiz Zancan, Antonio Henrique da Fontoura Klein, Claudio Ziglio e Isabela Morbach.


O encontro evidenciou como o Brasil começa a estruturar um ecossistema técnico e regulatório voltado ao armazenamento geológico de carbono, conectando universidades, setor energético, indústria e empresas de tecnologia e monitoramento ambiental.
No contexto do Projeto Piloto CCS São Tomé, da Petrobras, uma das tecnologias utilizadas no monitoramento será o sensor de CO₂ dissolvido Contros HydroC, fornecido pela parceira de longa data da Atlantec, a 4H-JENA engineering GmbH. O equipamento é reconhecido internacionalmente como uma solução estado da arte para monitoramento de CO₂ dissolvido em ambientes marinhos, sendo amplamente citado em projetos e estudos relacionados ao monitoramento ambiental offshore, especialmente em iniciativas de CCS no Mar do Norte.
Nesse cenário, o Projeto Piloto CCS São Tomé, desenvolvido pela Petrobras no litoral do Rio de Janeiro, representa um marco tecnológico e regulatório para o Brasil. O projeto é considerado o primeiro piloto nacional a integrar captura, transporte e armazenamento geológico de CO₂ em reservatório salino profundo.

Fonte: Petrobras.com.br
A iniciativa prevê a captura de até 100 mil toneladas de CO₂ por ano, com operação prevista a partir de 2028. O carbono será capturado na Unidade de Tratamento de Gás de Cabiúnas, em Macaé (RJ), transportado por aproximadamente 70 quilômetros e posteriormente injetado em reservatórios salinos profundos na região de Barra do Furado, em Quissamã (RJ).
Embora o CCS ainda seja um mercado emergente no Brasil, a Petrobras já possui experiência relevante em operações de CCUS no Pré-Sal. Segundo materiais técnicos apresentados pela companhia, os projetos associados ao Pré-Sal já acumulavam dezenas de milhões de toneladas de CO₂ reinjetadas ao longo dos últimos anos, consolidando o país como uma das referências internacionais em reinjeção offshore de carbono associada à produção de petróleo. (Cláudio Ziglio – CCUS Manager da Petrobrás)
O CCS São Tomé, entretanto, possui um papel diferente. Mais do que apenas armazenar carbono, ele funcionará como um grande laboratório de descarbonização, permitindo validar tecnologias, metodologias de monitoramento e futuros marcos regulatórios para projetos comerciais de CCS no Brasil. A própria Petrobras afirma que o projeto servirá como plataforma de aprendizado para futuros hubs de captura e armazenamento de carbono, tanto offshore quanto onshore.
E é justamente nesse ponto que surge um dos maiores desafios técnicos desse novo mercado: a integridade dos dados ambientais e oceanográficos.
Projetos de CCS exigem monitoramento contínuo e altamente confiável. Não apenas por questões ambientais e de segurança operacional, mas porque a credibilidade do próprio mercado de carbono depende da rastreabilidade dessas informações. Sem dados auditáveis sobre dispersão, comportamento do reservatório e eventuais vazamentos, torna-se extremamente difícil validar créditos de carbono ou estruturar mecanismos robustos de compensação de emissões.
Além disso, o ambiente offshore adiciona um grau elevado de complexidade operacional. Correntes marítimas, dinâmica da coluna d’água, transporte de sedimentos, variações de pH, presença de CO₂ dissolvido e comportamento hidrodinâmico da região passam a ser parâmetros críticos para qualquer projeto de armazenamento geológico em mar.
Nesse contexto, o monitoramento e a integridade de dados oceanográficos deixam de ser apenas uma atividade de apoio e passa a ser parte estratégica da infraestrutura de CCS.
A Atlantec Instrumentação Oceanográfica, empresa brasileira sediada em Florianópolis e atuando desde 2003 no setor de instrumentação oceanográfica, participa desse movimento tecnológico oferecendo instrumentação e integração de soluções, além de suporte especializado para operações offshore e monitoramento ambiental aplicado aos diversos setores e entre eles o energético.
Com atuação histórica em óleo & gás, hidrologia, infraestrutura marítima e operações offshore, a empresa desenvolveu ao longo dos anos uma estrutura voltada à confiabilidade operacional de equipamentos oceanográficos, manutenção técnica e auditabilidade de dados.
Sistema Integrado de Garantia de Dados da Atlantec

Esse processo começa ainda na aquisição dos equipamentos através da filial da empresa nos Estados Unidos, facilitando importações e integração logística. Em seguida, envolve instalação e comissionamento offshore em plataformas e embarcações, além de manutenção preventiva, calibração e suporte contínuo em campo.
Outro ponto relevante para projetos de CCS é a continuidade operacional do monitoramento. Em operações offshore, interrupções de aquisição de dados podem comprometer análises ambientais e programas regulatórios inteiros. Por isso, modelos de suporte que envolvem manutenção periódica, equipamentos substitutos e rastreabilidade laboratorial passam a ganhar importância estratégica.
A Atlantec também possui laboratório acreditado pela ISO/IEC 17025, realizando calibrações acreditadas e rastreáveis em parâmetros oceanográficos utilizados em operações offshore. Em projetos de CCS, a rastreabilidade metrológica tende a se tornar um dos pilares da credibilidade dos dados ambientais utilizados em auditorias, licenciamentos e validação de emissões.
Paralelamente, novas tecnologias começam a ganhar espaço no mercado brasileiro de monitoramento ambiental aplicado ao CCS. Sensores de CO₂ dissolvido, sistemas de telemetria submarina, perfiladores Doppler (ADCP), monitoramento de pH, CH₄ e oxigênio dissolvido passam a integrar arquiteturas mais robustas de monitoramento contínuo.
Entre os equipamentos utilizados internacionalmente nesse tipo de aplicação estão sensores da 4H-JENA engineering, amplamente citados em projetos europeus de monitoramento de carbono dissolvido, e perfiladores Doppler da Teledyne Marine, utilizados para análise hidrodinâmica e comportamento das correntes marítimas em áreas offshore.
Fontes:
Trabalho Realizado por Cláudio Ziglio


